BiblioConto

A biblioteca é um espaço em disputa.

Alguns querem-na silenciosa, reclusa entre suas prateleiras, guardiã de seus livros; Outros querem vê-la em festa, celebrando a diversidade que abriga e seu potencial de geral conhecimento, de promover encontros e debates.

Seu potencial de trocas (que é gigante) é pouco utilizado entre suas usuárias, ficando muitas vezes restrito às funcionárias. E mesmo neste breve contato surgem situações de tamanha beleza, de trocas humanas tão profundas, que me vi praticamente forçada a criar um espaço de guarda e compartilhamento desses momentos.

Aqui celebro o mais belo e glorioso de minha profissão, homenageio as trocas e afetos trazidos por desconhecidos, escrevo histórias de leitores queridos, que reforçam o grande valor dos espaços de troca.

Viva a biblioteca!

16 de agosto de 2018

Conversando com um amigo, comentei de um sonho antigo e das dificuldades de conquistá-lo.

Horas depois uma usuária sai do fundo da biblioteca e me entrega esse papelzinho, explicando “ouvi sua conversa sobre seu sonho, e queria te entregar isso”.

Agradeci, bastante surpresa, enquanto ela partia.
Em meio à uma avalanche de desesperanças, as pessoas me surpreendem com seus gestos espontâneos de carinhos.

12 de setembro de 2018

À tarde chegou uma senhora angustiada que a data de renovação do livro cairia no meio de sua viagem. Faltando poucas páginas para terminar a leitura, ela não queria devolver, mas não teria como renovar e me explicou tudo isso muito aflita.
A tranquilizei avisando que eu faria a renovação para ela no dia do vencimento. Simplesmente enviaria para meu e-mail um lembrete.

Ficou gratíssima, incrédula que eu faria algo assim para ela. Voltou algumas horas depois com dois chocolatinhos e me entregou dizendo “um doce pra você que já é um doce.”

O curioso é que nas primeiras vezes dela aqui a achei um pouco rude, pedia informações sem falar boa tarde, coisas desse tipo. Mas que alegria poder reconhecer meu engano, compreender a diversidade de formas de expressão das pessoas, que eu não posso ser parâmetro ao me relacionar com outros. E que satisfação poder deixar alguém tão contente com algo tão simples.